domenica 14 marzo 2010

Natal : la PF arresta un italiano per sfruttamento della prostituzione

E' stata battezzata Operazione Ferrari perchè a Maranello , casa del noto marchio del cavallino rampante , erano localizzati i tre locali notturni dove oltre 100 brasiliane , secondo la PF , sarebbero state " esportate " per essere avviate , a loro insaputa , al mercato della prostituzione .
Alcune delle ragazze coinvolte però smentiscono categoricamente le accuse fatte .
Il lavoro di intelligence della polizia è durato otto mesi all'indomani di una denuncia fatta al Centro de Referência da Mulher Cidadã, di Natal.

Para o advogado Antônio Carlos Souza de Oliveira não há nenhuma ilegalidade no trabalho realizado pelo natalense Ferdinando Brito Araújo e pelo italiano Mariano Lourette, presos na quinta-feira (4), na capital do Estado, durante a operação Ferrari, da Polícia Federal. Eles são acusados de participação em um esquema de tráfico de mulheres brasileiras para a Itália, onde elas seriam obrigadas a se prostituir para pagar dívidas contraídas com a dupla.

Alex RégisMulheres que viajaram para a Itália depõem na Polícia Federal e defendem o acusado Ferdinando Brito Araújo, preso na quinta-feiraMulheres que viajaram para a Itália depõem na Polícia Federal e defendem o acusado Ferdinando Brito Araújo, preso na quinta-feira
“Nós pretendemos mostrar que não havia tráfico de mulheres. Meu cliente e o italiano afirmaram que realmente trabalhavam levando mulheres para serem contratadas em boates da Itália, mas que nisso não há irregularidade alguma”, afirmou o advogado, que disse ainda que o trabalho feito por eles é considerado legal na Europa, e que as mulheres sabiam que trabalhariam como dançarinas e foram por livre e espontânea vontade. Sobre o fato de algumas terem se prostituído, o advogado afirmou que os dois não poderiam ter controle sobre tudo o que elas faziam na Itália. “Elas eram levadas como dançarinas, agora, o que elas faziam no tempo livre, só diz respeito mesmo a elas”, afirmou Antônio Carlos.

O advogado descartou ainda as possíveis dívidas que as mulheres contraíram com os agenciadores. Era feito um trabalho de treinamento dessas mulheres aqui em Natal, elas viajavam para a Itália de forma legal e, muitas vezes, até perdiam o contato com a dupla. “Algumas ainda ligavam para Ferdinando, mas sem nenhuma relação profissional, apenas pela amizade que tinham construído durante o treinamento, não havia dívidas nem cobranças”, explicou o advogado.

Ferdinando, que também trabalha como dançarino, conheceu Mariano Lourette em uma viagem feita para a Itália, onde pôde ver pessoalmente as boates para quem, mais tarde, teria a missão de selecionar e treinar mulheres brasileiras para transformá-las em dançarinas.

Ferdinando Brito, que no dia 3 deste mês completou 28 anos, trabalhava há cerca de um ano com o italiano, que pagava parte do dinheiro recebido das boates – cerca de R$ 2 mil por mês de serviço, apesar de já estar, quando foi preso, há quatro meses sem trabalhar com isso. Os empresários diziam quantas mulheres queriam contratar, o italiano passava para Ferdinando e ele, aqui em Natal, fazia a seleção das dançarinas. Depois, encaminhava fotos e vídeos das escolhidas para a Itália, onde passariam pelo aval do italiano e também das boates. Se elas fossem aceitas, seriam enviadas para o país europeu às custas das boates.

“Na Itália, é tudo perfeitamente legal. As boates são fiscalizadas todos os dias. Não há consumo de bebida alcoólica, muito menos de drogas. É proibido. Não tenho notícia de ninguém que tenha sido escravizada lá por dívidas ou algo do tipo”, contou o advogado, que encaminhou para a Justiça o endereço de várias dessas mulheres que foram selecionadas pela dupla e que podem ajudar na comprovação da inocência do natalense e do italiano no caso.

“Além disso, caso não sejam ouvidos no inquérito da Polícia Federal, que ainda está sendo feito, vou pedir para que no julgamento dos dois sejam ouvidos os empresários donos das boates, pois eles podem passar como era a relação de trabalho com a dupla”, afirmou.

Mulheres defendem “Nando”

Na presença do advogado de defesa Antônio Carlos, a TRIBUNA DO NORTE entrevistou três mulheres que viajaram para a Itália após serem treinadas por Ferdinando Brito. Para elas, “Nando”, como é conhecido o acusado brasileiro, foi profissional durante o tempo de curso e, jamais, tentou explorar ou incentivar a prostituição delas na Europa.

“É tudo um absurdo. Não éramos contratadas como prostitutas. Viajamos dentro da legalidade e quando chegávamos lá, tirávamos a permissão para trabalhar na Polícia Federal de lá e viver livremente no país. Tanto é assim que não soube de nenhuma mulher que foi e não quis voltar para lá para continuar os trabalhos”, afirmou Fabiana - os nomes das mulheres nesta matéria são fictícios.

Ao afirmar que viajavam dentro da legalidade, Fabiana, não sabia do diploma forjado que era colocado dentro da documentação das mulheres que iam para a viagem. Isso é uma confissão que o próprio “Nando” já fez na investigação da Polícia Federal. “Realmente, elas não têm conhecimento, mas era anexada à documentação um diploma que as qualificava como profissional. Isso servia, apenas, para dar mais celeridade ao processo de obtenção do visto italiano”, afirmou o advogado Antônio Carlos. A forma como esse diploma era conseguido, por sinal, Ferdinando Brito já revelou em depoimento - e isso pode ajudar a descobrir outras garotas que foram da mesma maneira para a Europa.

Na Itália, as mulheres eram contratadas como dançarinas - não “estripers” - e afirmaram que jamais se prostituíram nem foram vítimas de maus tratos. “A gente tinha total atenção. Iam nos deixar no trabalho, depois levavam a gente para casa. Morávamos em um local conseguido pelo empresário da boate, onde não podíamos receber visitas, justamente como forma de evitar que nos prostituíssemos. Tínhamos direito a duas bebidas por noite, mas isso não dava para nos deixar embriagadas. Não podíamos beber mais do que isso, também”, afirmou Sabrina.

Só a carreira como dançarina na Europa, já justificaria o interesse das três pela viagem. “Aqui, a gente ganhava R$ 50 por evento trabalhando como dançarinas em bandas locais. Na Itália, eram 50 euros por noite de trabalho. Trabalhávamos apenas quatro noites por semana e, em cada uma, apenas quatro horas”, contou Paula, a primeira a ir para a Europa, com apenas 19 anos, em 2007, assim que conheceu “Nando” e Mariano, dupla indicada por uma outra amiga. “Fui, passei quatro meses, fiquei com saudades da minha família e voltei. Fui novamente em 2008 e, desta vez, passei seis meses (o tempo máximo permitido)”, afirmou ela.

Das três, a que ficou na Itália por mais tempo foi Sabrina. Foram quase três anos ininterruptos, vindo ao Brasil apenas no período de férias - quando passava dois meses na Capital do Estado e depois voltava para a Europa. Sabrina, assim como as outras duas, morava na zona Norte de Natal.

Por serem apenas três de um universo de 100 mulheres que supostamente foram aliciadas pela dupla Ferdinando - Mariano que Fabiana, Sabrina e Paula pediram para não terem seus nomes originais divulgados na matéria. “Aqui se julga muito sem conhecer. Foram para a Europa trabalhar como dançarinas, então são prostitutas, o povo pensa. Mas se conhecessem a realidade, saberiam que é bem diferente”, afirmou Paula.

As três ainda aguardam a convocação da PF para prestar depoimento sobre como era a vida delas na Itália. Outras garotas já foram chamadas para depor no inquérito. “Queremos muito que elas participem da investigação ou, pelo menos, estejam no julgamento. Tanto o depoimento delas, quanto o dos empresários donos das boates são importantes para a defesa”, afirmou Antônio Carlos.

Brasileiras escravizadas e prostituídas

A operação da Polícia Federal batizada de “Ferrari”, em alusão à cidade que é a casa da montadora de carros italiana, Maranello, e onde ficam as três boates onde as brasileiras eram mantidas, foi deflagrada na quinta-feira passada, levando à prisão de Ferdinando Brito Araújo e do italiano Mariano Lourette. Segundo a PF, foram mais de 100 brasileiras levadas para a Itália e escravizadas em uma casa de prostituição.

O trabalho da polícia começou há oito meses, depois que uma denúncia foi feita ao Centro de Referência da Mulher Cidadã, em Natal. Segundo investigou a PF, as mulheres eram aliciadas no Rio Grande do Norte, em Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. A maior parte sabia que o serviço era de prostituição, outras imaginavam que trabalhariam como dançarinas. O fato é que ao chegarem na Itália, eram avisadas de que estavam devendo uma grande quantia em dinheiro pelas passagens e hospedagem na boate.

“Cada dia de trabalho custava cinco euros ao aliciador potiguar e um montante maior ao empresário italiano”, revelou o delegado Marcelo Mousele, superintendente da PF no Rio Grande do Norte. Após boa parte do trabalho investigativo, a operação Ferrari, foi desencadeada na tarde da última quinta-feira. Existe, por sinal, a suspeita de envolvimento da dupla com a Sacra Corona Unita, uma organização criminosa que age na Itália.

Os dois suspeitos foram presos juntos, na rua Frei Miguelinho, no bairro da Ribeira. Os policiais cumpriram um mandado de busca na casa do natalense, em Cidade Satélite e lá encontraram dezenas de Carteiras de Trabalho. Os documentos serviam para que as mulheres pudessem embarcar para a Itália com profissões forjadas.

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