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Peito da Moca

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Alcuni giorni dopo essere arrivato a Natal ho deciso di dare una occhiata alla seconda più grande città dello Stato del Rio Grande do Norte : Mossorò .

Sono poco più di 280Km da Natal lungo la BR 304 seguendo la stessa strada che porta a Fortaleza . Ma non parlerò di Mossorò , almeno questa volta , perchè quello che mi ha colpito di più durante questo viaggio è stata un picco montagnoso , in verità non molto alto , che si staglia solitario nei pressi della cittadina di Lajes a poco più di 100Km da Natal : il picco Cabugi che in lingua Tupi ( La lingua degli indios locali ) significa petto di ragazza ( Peito da Moca ) .
Essendo nato alle pendici del Vesuvio ho subito riconosciuto la forma classica del vulcano con lava acida quindi a forma di cono ( Quelli a lava basica , come i vulcani delle Hawai sono praticamente piatti essendo la lava molto fluida ) . Tutto intorno rocce basaltiche e grosse pietre di forma ellissoidale come le bombe vulcaniche . Naturalmente sapevo che in Brasile non esistono vulcani ciononostante quella montagna sembrava proprio costruita con il magma fuoriuscito dalle viscere delle terra .
Non appena rientrato a Natal ho fatto una ricerca su internet e la mia sensazione è stata confermata : il picco Cabugi , di 590 mt di altezza , è l’unico vulcano estinto esistente in Brasile ! Che ci volete fare , ma per me che sono nato alle pendici di un vulcano , è stato come ritornare a casa . La tentazione di scalarlo , come si fa con il Vesuvio , è forte ma ho deciso che alla prima occasione lo farò . Nel frattempo ho rintracciato il diario di un brasiliano che all’età di nove anni passando per la strada di Lajes si incantò alla vista del picco e decise di scalarlo . La cosa avvenne effettivamente 55 anni dopo ed in seguito è riportato il resoconto della scalata .

Peito da Moça

Quem nunca passou pelo Sertão do Cabugi e não se sentiu desafiado a escalar o mais belo acidente geográfico do Rio Grande do Norte? O Pico do Cabugi, o único vulcão extinto no Brasil, está lá, imponente e respeitado e quem o conquistou se sentiu recompensado. Um desses privilegiados é o jornalista Osair Vasconcelos. Ele chegou ao topo e conta qual foi sua emoção, diante da terra braba, seca e ardente que se vislumbra ao seu redor.

Em 1952, aos nove anos, quando vinha pela BR-306 em mudança de Fortaleza para Natal, com seu pai, Laurence Nóbrega teve uma visão de encantamento com o Pico do Cabugi e fez a si mesmo uma promessa: – Um dia eu subirei esta montanha.

Cinqüenta e cinco anos depois, no sábado passado, sob o sol de outubro e uma brisa que, no início da manhã refrescava a pele e ao meio-dia era tão densa e quente que daria para acender um cigarro, aqui estamos: Laurence, o sonhador; o escalador Ivan e sua esposa, Helena, a caminhante; o viajante Irineu; o aventureiro Ramón; o iniciante Vítor; e eu, no papel de testemunhante.

Durante cinco horas, das 7h09 ao meio-dia, subimos e descemos o mais alto pico isolado do Rio Grande do Norte. Uma formação de 19 milhões de anos, segundo os geólogos, composta de ankaratritos, basanitos e olivine-basaltos. E que eu traduzo como pedras e mais pedras com a aspereza de uma lixa 100, friinhas de manhã e quentes de queimar, como pedras vulcânicas que são, a partir das 9 horas.

Objetivo de tanto esforço: partilhar da realização do sonho de Laurence, daqui em diante Mestre Lau, de subir uma montanha de 590 metros. De quebra, aproveitar a viagem que talvez nunca façamos de novo. Olhar o panorama de 360 graus. Tentar ver o Atlântico para confirmação, do ângulo inverso, da tese de Lenine Pinto segundo quem o Cabugi pode ser visto do mar. E conversar potocas geológicas sobre a origem do pico e ouvir estrelas.

Depois de tantas explicações, vamos ao Cabugi. Ou, traduzindo o tupi-guarani, o Peito da Moça.

O primeiro terço da subida se dá numa picada ao longo de uma adutora. Um pouco de mato seco, principalmente juremas, e pedrinhas soltas. O caminho vai se adensando de mato, se estreitando e revelando valas formadas pela erosão. Começam a surgir cardeiros, xique-xiques e macambiras. O último sinal de coisas humanas é a caixa d’água onde termina a adutora.

Um bichinho verde pousa no ombro de Mestre Lau. Parece, a princípio, pela cor, uma esperança. Mas não é. É um bichinho feio, com cara de bagre, uns olhos de sapo e rabo em forma de folha. Se não fosse pelo tamanho, meteria medo.

Estamos quase todos de mangas e calças compridas, algum tipo de chapéu e muito protetor solar. Mas nas primeiras horas da manhã a brisa sopra fresca e o sol não incomoda. O bastão ajuda no equilíbrio. Começamos a caminhada vendo sempre o Peito da Moça, mas quando entramos nas trilhas cobertas pelo mato ele às vezes desaparece. A respiração se torna mais exigente e já é hora de tomar os primeiros goles d’água.

As primeiras pedras começam a surgir e enchem algumas trilhas fechadas pelo mato. É preciso mais atenção, pois a garrancheira está nos roçando e as macambiras, cardeiros e bromélias estão à espreita com seus espinhos. Num trecho mais fechado, surpresa: um ex-voto. Um rosto esculpido em madeira, com traços finos. Sobre a pedra onde repousa, sinais de vela. Penso em levar como lembrança, mas desisto em respeito à fé e à necessidade de quem o fez.

A saída da trilha fechada nos põe de frente a um patamar de pedras e mais pedras, de pouca inclinação, que leva à primeira subida forte. Apesar de suave, atravessar esse patamar de basanitos e olivine-basaltos exige esforço. Os bastões de alumínio providenciados pelo Mestre Lau começam a mostrar a que vieram. Eles ajudam no equilíbrio em meio a pedras dispostas a escorregar e nos dar uma boa torção no tornozelo.

Ultrapassados esses 100 metros, a subida se torna íngreme. O primeiro trecho é perigoso por juntar pedras pequenas e alguma areia, cercado por arbustos em que não se deve confiar, pois não resistem ao menor puxão. Subimos mais distanciados uns dos outros para evitar as pedras que aqui e acolá escorregam. Fala-se pouco, arfa-se muito e a adrenalina sobe. Ao final, cada um, sentado num espaço mínimo, descansa, retoma o fôlego e aprecia a vista.

Mestre Lau faz observações sobre o que se vê lá embaixo, na estrada cortada por carros velozes e outros em marcha lenta. Será essa a única diferença. Quem vai dentro, não vemos. Carregam seus problemas e expectativas: chegar cedo ao lar, iniciar um trabalho, resolver algum problema. Estar a alguns metros acima do mundo corriqueiro nos dá uma sensação de alheamento aos problemas humanos e enseja qualquer coisa de beatitude. Diante disso, Mestre Lau lembra: – Já disse à minha família: quando sentir que vou morrer, vou para o alto de uma montanha.

– Morrerá tranqüilo, respondo. – Mas, agora, é tempo de retomar a caminhada.

A parede seguinte é ainda mais vertical, mas com uma atenuante: as pedras são grandes e menos falsas. O bastão perde a utilidade e passamos a usar as duas mãos, à moda das lagartixas. Ao final do trecho, chegamos àquele patamar em que quem tem medo de altura, se ousasse subir até ali, não poderia olhar para baixo. A visão começa a tomar ares de magnífica, para compensar o esforço. Olhando para baixo, já não vemos com nitidez por onde viemos e encontrar a próxima trilha só é possível graças ao conhecimento do escalador Ivan, que faz este percurso pela terceira vez.

Agora, começamos a andar rodeando o Peito da Moça. Se o Cabugi fosse um seio de verdade, estaríamos na aréola. A proximidade de atingir o bico excita a todos e passamos a caminhar mais rápido. O bastão volta a ser útil e nos ajuda a ganhar velocidade. De vez em quando avistamos a bandeira branca fincada no topo. Os mais jovens já estão lá.

Sou o último a chegar, uns dois metros depois do Mestre Lau. Deixo-o respirar e lhe dou um abraço pela realização do sonho de um menino de nove anos. Todos nos abraçamos. Respiramos, fazemos fotos e falamos ao celular. Comemos banana e bebemos água. Giramos os olhos por 360 graus da paisagem seca do Sertão Central e, estendidas à frente, generosas porções do território potiguar. Estamos no topo do Rio Grande do Norte. Apertamos os olhos em busca de ver o mar, mas a neblina seca espalhada ao longe nos nega esse testemunho. O mais próximo que avistamos dele são porções de areias brancas, talvez dunas de Galinhos e Guamaré.

Quarenta minutos depois começamos a volta. Mas não vou falar da descida. Viemos aqui para subir o Peito da Moça.

Testo : Helio Cavalcanti do Destino do Sol

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