Home lavoro La produzione dei sigari a Bahia … ai primi del 1900

La produzione dei sigari a Bahia … ai primi del 1900

9
0
CONDIVIDI


A coloro che leggono correntemente il portoghese dedico questo brano delizioso tratto dal libro di Stephan Zweig : Brasil ,Pais do Futuro . Si tratta della minuziosa descrizione della produzione manuale dei sigari in una fabbrica di Cachoeira nello Stato di Bahia così come avveniva nel 1936 .


Em Cachoeira, a velha cidade histórica e na qual várias casas ainda têm seteiras para defesa contra os índios, existem as maiores e mais afamadas fábricas de charutos do país.


Como velho devoto de Santa Nicotina tinha eu nessa cidade que agradecer o prazer que me haviam dado muitos charutos deliciosos, e, consciente de minha culpa, em silêncio queria calcular quantas dessas plantações com milhares e milhares de folhas eu, em todos os anos de meu vício, havia transformado em fumaça.

Escolher é sempre difícil, e por isso visitei todas as três fábricas. Mas, “fábricas” é no caso uma palavra hiperbólica. Eu receara encontrar só possantes máquinas de aço que recebessem numa das suas extremidades as folhas de fumo dispostas em camadas e fornecessem pela outra os charutos prontos, encapados, com cinta e talvez mesmo já arrumados nas caixas. Fábricas como essas sempre me dão a impressão de estar vendo grandes autômatos e não um verdadeiro processo de transformação.

Mas nada disso existe nas fábricas de Cachoeira. No Brasil, o fabrico de charutos também não é mecanizado. Todo charuto nesse país é feito à mão, ou melhor, na feitura de cada um trabalham quarenta ou oitenta mãos hábeis. E podemos — o que para todo fumante é uma surpresa observando a sucessiva transformação, perceber admirados quanto trabalho se oculta sob a fina capa dum charuto. Centenas de moças morenas acham-se sentadas nas salas da fábrica uma ao lado da outra e cada grupo delas exerce uma atividade diferente.

Percorrendo essas salas, podemos assistir à evolução inteira dum charuto. Na primeira sala vemos o fumo como chega da plantação, em grandes folhas já secas, que exalam um cheiro forte, penetrante. Após a primeira escolha, feita por mulheres, sentadas entre montões de folhas de fumo, são retirados os talos. Só depois, começa o enrolamento das folhas para formarem os charutos. Outro grupo de operárias corta com facas os charutos de acordo com uma medida. Mas por enquanto os charutos estão nus, falta-lhes ainda a capa, que lhes vai dar forma e sabor. Mas, singular perversidade da natureza! o Brasil, há séculos, o país que mais fumo produz, tem todas as espécies deste vegetal, menos a que fornece as folhas com as quais se fazem capas, porque ela não existe aqui. Por isso as folhas para as capas, aos bilhões, são importadas de Sumatra, e para todo charuto que despreocupadamente fumamos, concorrem dois continentes, a Ásia e a América, e nós, as mais das vezes, o fumamos num terceiro continente.

Revestido afinal o charuto da capa, outra operária tem que fazer a ponta, outros dedos morenos colocam-lhe a cinta e ainda outros colam o selo (no Brasil tudo é selado a não ser a criança recém-nascida). Só então são os charutos envolvidos em celofane e colocados nas caixas, que recebem uma marca feita a fogo.

Quase me envergonho de pôr um charuto na boca desde que fiquei sabendo quando trabalho exige a feitura de um deles. E, quando vi as centenas de dorsos curvados de tantas raparigas, com sentimento de culpa percebi quantos dorsos eu curvara assim. Mas tais escrúpulos não duram muito. E, como nessas fábricas me presentearam com caixas de seus excelentes produtos, antes de eu chegar de volta à Bahia alguns desses escrúpulos se haviam desvanecido em fumaça azul.




Booking.com
CONDIVIDI

LASCIA UN COMMENTO

Please enter your comment!
Please enter your name here