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La fine della “empregada domestica” in Brasile

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Con gli ultimi aumenti salariali il costume delle famiglie brasiliane di classe media di avere in casa una domestica volge alla fine . Stretta tra gli aumenti vertiginosi della tassa di condominio , anch’ essa legata all’aumento del costo della manodopera , dell’alimentazione e dei servizi in generale la domestica sarà il primo lusso a cadere . Poi aumenteranno le inadempienze ( non pagamenti ) delle tasse condominiali , fenomeno già iniziato .

Nos últimos dois dias, os jornais anunciaram o aumento no salário das empregadas domésticas, que teria sido o mais alto dentre todas as categorias, para endereçar a dificuldade que a classe média hoje enfrenta para lidar com as tarefas de casa. Por conta de alterações legislativas, que vão atribuir mais direitos, como adicional noturno e seguro desemprego, anuncia-se uma redução ainda maior de famílias empregando serviços domésticos em um futuro próximo. Será?

Parece muito simplista a relação entre oferta e demanda nesse caso a partir da mera constatação de aumento no custo de contratação. A escassez de mão-de-obra para trabalho doméstico está inserida em um contexto bem mais complexo, em que se verifica uma verdadeira transformação no mercado de trabalho brasileiro. Na verdade, o aumento de renda e a maior qualificação podem explicar de forma mais apropriada a redução do número de famílias com empregadas domésticas. Esse tipo específico de profissional acaba optando por outras atividades, ou mesmo modificando a relação habitual com a família, seja cobrando mais caro pelos serviços, seja determinando novas condições de trabalho, como, por exemplo, dispensar finais de semana.

Parece, então, que a existência desse serviço está fadada ao fim. Pelo menos, assim seria o esperado, já que o Brasil tende a progressivamente continuar a reduzir as diferenças sociais e a proporcionar maiores e melhores condições de acesso a estudo para os seus cidadãos, em especial para os mais necessitados. Mas essa, de novo, é uma visão simplista, que desconsidera a possibilidade de o mercado se reinventar, adaptando-se a novas realidades, já que resiste uma forte demanda por serviços domésticos, seja por conta de fatores culturais, para o bem ou para o mal, seja em função da já estabilizada inserção da mulher de classe média no mercado de trabalho.

Essa sofisticação do mercado de trabalhos domésticos já ocorreu em outros países e é uma tendência perceptível no país. Aliás, na Inglaterra do final do séc. XIX observou-se uma escassez de mão de obra semelhante à que hoje se vê no Brasil, para, alguns anos depois (quase no final do séc. XX), ressurgir um novo tipo de trabalhador doméstico, que é mais especializado (e, portanto, cobra mais caro), atende vários clientes (substituindo a relação familiar, de dependência, por uma profissional) e engloba direitos comuns a outros trabalhadores (como previdência e descanso semanal).

Certamente a classe média terá que se adaptar a um novo modelo de serviços, em que a disponibilidade e o custo serão diferentes do que há vinte ou mais anos. Mas não será isso um bom sinal? Uma demonstração de evolução para uma sociedade mais justa e mais equilibrada, ao invés do caos anunciado aos quatro ventos?

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